Contrato de Locação de Imóveis Regras Cuidados e Quando Fazer
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Alugar um imóvel parece simples até surgir a primeira dúvida: quem paga o conserto? Pode reajustar o aluguel? A caução pode ser maior? O contrato protege as duas partes justamente porque transforma expectativas em regras claras.
Este conteúdo é informativo e não substitui a análise jurídica do caso concreto. No DIREITO IMOBILIÁRIO, a locação exige atenção à Lei nº 8.245/1991, conhecida como Lei do Inquilinato, e ao Código Civil.

Contrato de Locação de Imóveis Regras Cuidados e Quando Fazer
O que é contrato de locação de imóvel
O contrato de locação é o acordo pelo qual o locador cede o uso de um imóvel ao locatário, mediante pagamento de aluguel. Ele pode tratar de imóvel residencial, comercial ou por temporada.
Mais do que um documento formal, o contrato define:
valor do aluguel;
prazo da locação;
índice e forma de reajuste;
responsabilidades por despesas e reparos;
garantias;
regras de rescisão;
penalidades por descumprimento.
A expressão CONTRATO DE LOCAÇÃO, LEI DO INQUILINATO, CÓDIGO CIVIL BRASILEIRO resume a base jurídica mais comum para analisar esse tipo de relação.
Quando o contrato deve ser feito
O ideal é fazer o contrato antes da entrega das chaves. Nesse momento, locador e locatário ainda podem negociar com calma.
A locação verbal pode existir e produzir efeitos, mas traz mais riscos. Sem documento escrito, fica mais difícil provar prazo, valor, garantias, responsabilidades e condições do imóvel.
O contrato escrito é recomendado em praticamente todas as locações, especialmente quando há garantia, imóvel mobiliado, atividade comercial, reformas autorizadas ou divisão de despesas.
Tipos de locação
Locação residencial
É voltada à moradia. Deve prever quem residirá no imóvel, prazo, valor do aluguel, encargos e regras de conservação.
Locação comercial
Também chamada de não residencial, serve para atividade empresarial, profissional ou comercial. Pode envolver ponto comercial, renovação, benfeitorias e regras específicas sobre uso do imóvel.
Locação por temporada
É destinada à residência temporária, como lazer, tratamento de saúde, cursos ou obras em outro imóvel. Pela Lei do Inquilinato, o prazo máximo é de 90 dias. Pode incluir móveis, utensílios e pagamento antecipado, desde que respeitadas as regras legais.
Prazo, aluguel e reajuste
O contrato deve indicar o prazo da locação. Pode ser por prazo determinado ou indeterminado, conforme o caso.
O valor do aluguel deve ser claro, com data de vencimento, forma de pagamento e consequências do atraso. O reajuste também deve estar previsto, com índice permitido e período de aplicação. Na prática, o reajuste costuma ser anual, mas a redação deve ser cuidadosa para evitar abusos e dúvidas.
Cláusulas genéricas, confusas ou incompatíveis com a lei podem gerar discussão judicial.
Responsabilidades do locador e do locatário
Em regra, o locador deve entregar o imóvel em condições de uso, responder por vícios anteriores à locação e arcar com despesas extraordinárias de condomínio, quando existirem.
O locatário deve pagar o aluguel e encargos ajustados, conservar o imóvel, reparar danos causados por mau uso e devolver o bem no estado recebido, salvo desgaste natural.
A vistoria é essencial. Ela deve registrar fotos, estado de pintura, pisos, portas, janelas, instalações elétricas, hidráulicas, móveis e demais itens. O laudo ajuda a evitar conflitos no fim da locação.

Encargos, IPTU e condomínio
O contrato deve informar quem paga IPTU, condomínio, água, energia, gás, seguro e outras despesas.
A Lei do Inquilinato permite que algumas obrigações sejam atribuídas ao locatário, desde que isso esteja ajustado de forma clara. Em condomínio, costuma-se separar:
despesas ordinárias, em geral ligadas ao uso cotidiano;
despesas extraordinárias, em geral ligadas à estrutura, obras e melhorias relevantes.
Essa distinção evita que o inquilino pague despesas que legalmente não deveria assumir.
Garantias locatícias
As garantias mais comuns são:
Garantia | Observação principal |
Caução | Pode ser em bens, dinheiro ou outras formas admitidas |
Fiança | Uma pessoa garante a dívida do locatário |
Seguro-fiança | Contratado junto a seguradora |
Cessão fiduciária | Envolve quotas de fundo de investimento, nos termos legais |
A caução em dinheiro não pode exceder três meses de aluguel e deve observar a forma legal, com devolução ao final se não houver débitos.
Outro ponto muito importante: não podem ser exigidas múltiplas modalidades de garantia no mesmo contrato. A Lei do Inquilinato veda essa cumulação. Assim, não se deve exigir, por exemplo, caução e fiador ao mesmo tempo para a mesma locação.
Multa, rescisão, inadimplência e despejo
A multa por rescisão antecipada deve ser proporcional ao tempo restante do contrato, quando aplicável. O contrato deve explicar como ela será calculada.
A inadimplência pode levar à cobrança e à ação de despejo. Também podem gerar despejo:
falta de pagamento de aluguel ou encargos;
descumprimento contratual;
uso irregular do imóvel;
término do prazo em situações previstas em lei;
necessidade de reparos urgentes que impeçam a permanência;
outras hipóteses admitidas pela legislação.
O despejo exige procedimento legal. O locador não pode trocar fechaduras, retirar bens ou constranger o locatário por conta própria.
Direito de preferência e renovação
Se o imóvel for vendido, o locatário pode ter direito de preferência para comprar em igualdade de condições, desde que respeitados os requisitos legais. A comunicação deve ser formal e clara.
Na renovação, é recomendável revisar prazo, valor, garantias, encargos, estado do imóvel e eventuais mudanças de uso. Em locações comerciais, a renovação pode ter efeitos relevantes para a continuidade do negócio.
Quando é recomendável fazer ou revisar o contrato
A revisão é recomendável em situações práticas como:
antes de entregar ou receber as chaves;
antes de renovar a locação;
ao alterar o valor do aluguel;
ao trocar garantia locatícia;
antes de realizar reformas;
quando mudar a responsabilidade por IPTU, condomínio ou reparos;
ao transformar uso residencial em comercial;
quando houver entrada ou saída de moradores;
antes de encerrar o contrato.
Revisar antes costuma ser mais barato e menos desgastante do que discutir depois.
Atenção a idosos e pessoas com deficiência
A idade avançada ou a deficiência não eliminam as regras contratuais. Aluguel, encargos, conservação e prazos continuam existindo.
Ao mesmo tempo, a relação deve respeitar dignidade, igualdade, acessibilidade e não discriminação, conforme a legislação brasileira. Isso vale para atendimento, negociação, comunicação, acesso ao imóvel e análise de garantias.
Não é adequado recusar locação apenas por idade ou deficiência. Também é recomendável avaliar adaptações razoáveis, quando necessárias e possíveis, sempre com registro por escrito.
Exemplo prático
Uma pessoa alugou apartamento por 30 meses, com caução de três aluguéis. O contrato não tinha laudo de vistoria detalhado. Ao final, o locador cobrou pintura, troca de fechadura, conserto de armário e multa integral.
Nesse caso, surgem várias perguntas: havia dano ou desgaste natural? A multa era proporcional? A caução poderia ser usada para abater débitos? Existiam fotos de entrada e saída?
Com contrato claro e vistoria completa, a solução seria muito mais objetiva.
Resumo
O contrato de locação deve definir quem faz o quê, quanto se paga, quando se paga e o que acontece se alguém descumprir o combinado.
Pontos essenciais:
prefira contrato escrito;
faça vistoria com fotos;
defina aluguel, reajuste e prazo;
especifique encargos, IPTU e condomínio;
escolha apenas uma modalidade de garantia;
respeite o limite legal da caução em dinheiro;
registre reformas e alterações;
trate rescisão, multa e inadimplência com clareza.

Perguntas frequentes
Contrato verbal de locação vale?
Sim. A locação verbal pode valer, mas é mais difícil provar condições, prazo, valor e responsabilidades. O contrato escrito traz mais segurança.
A caução pode ser de qualquer valor?
Não. A caução em dinheiro tem limite legal de até três meses de aluguel.
O locador pode exigir caução e fiador juntos?
Não. A Lei do Inquilinato não permite exigir mais de uma modalidade de garantia no mesmo contrato.
Quem paga o IPTU?
Pode ser atribuído ao locatário se houver previsão contratual válida. O ideal é deixar isso expresso.
Quem paga o condomínio?
Em geral, despesas ordinárias ficam com o locatário e extraordinárias com o locador, conforme a natureza da cobrança e a lei.
O locatário pode sair antes do fim do contrato?
Pode, mas pode haver multa proporcional, salvo hipóteses legais específicas.
O locador pode pedir o imóvel de volta a qualquer momento?
Não necessariamente. É preciso observar prazo, tipo de contrato e hipóteses previstas na Lei do Inquilinato.
Falta de pagamento gera despejo automático?
Não. Pode gerar ação de despejo, mas o locador deve seguir o procedimento legal.
Pessoa idosa ou com deficiência tem regra contratual diferente?
As obrigações contratuais continuam. O que deve ser garantido é tratamento digno, igualitário, acessível e sem discriminação.
Conclusão
Um bom contrato de locação não serve apenas para cobrar aluguel. Ele organiza a relação, previne conflitos e protege locador e locatário do começo ao fim.
Antes de assinar, renovar, alterar valores, aceitar garantias ou encerrar a locação, busque análise jurídica individualizada. Cada imóvel, contrato e situação familiar ou comercial pode exigir cuidados próprios.
Dr. Ivanildo de Gouveia, Advogado em Guarulhos, São Paulo.
Conteúdo informativo, elaborado em respeito às normas éticas da OAB.







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